domingo, 20 de junho de 2021

De pandemia e Leon Leal: lembranças do menininho que a Covid-19 levou!

 Bonsoir, 

 Leonzinho. 

Estamos às vésperas do São João. Os festejos por aqui somente virtualmente. Mas, dado o movimento das vendas nessa pandemia, acredito que ainda assim os festejos serão bons para muita gente. Você sabe, ontem batemos a casa dos mais de 500 mil mortos pela COVID-19. Que coisa, hein? Quanta tristeza! 

Não sei se você soube que nosso querido Leon Leal, sobrinho de Gal, como se fosse nosso, partiu esses dias! Ele pegou a Covid e foi internado no Rio Grande do Norte para onde tinha acabado de se mudar pelo banco!  Fiquei arrasada com essa notícia! Foi enterrado em Jequié, onde nasceu! 

Mas, a vida como é? Reencontrei Leon depois de muitos anos só recentemente. É como se ele quisesse se despedir de mim! Estávamos ainda na pandemia. E há coisa de uns três meses começamos a nos falar mais frequentemente. Gal era quem intermediava as conversas pelo zap. E eu ia acompanhando um pouco o que ia acontecendo com eles. 

Um dia lá, fiz uma declaração de quanto eu amava aquele menininho que eu havia conhecido e cuidado. E como ele tinha sido valente. Ele tinha uns quatro, cinco anos, talvez. E um dia eu tinha dormido na casa dele. E quando me dei conta, tinha encontrado aquele toquinho de gente escalando um armário para preparar o próprio café da manhã. 

A mãe sempre deixava as coisas ali por cima, meio que prontas pra ele. Nesse dia, era ele quem se ocupava de escalar aquele armário alto pra alcançar algo que gostaria. Não me lembro bem se era biscoito ou coisa do gênero. Mas, a cena dele se virando sozinho, sem ajuda de ninguém, me escandalizou! Nunca esqueci porque aquela cena não tinha sido a única. E achei aquele menininho loirinho muito valente. A mãe tinha viajado e eu estava com ele e Liginha, a irmã. Desde então, aquelas lembranças me marcaram profundamente, tal a valentia daquele garotinho, que agora a Covid levou!

Eu imaginei qualquer coisa quando Gal me informara que ele havia sido internado. Rezei muito. E ele chegou a melhorar. A esposa de Leo, uma guerreira. Forte! Era quem dava notícia no zap. E eu recebia. Até informar que ele teria que passar por uma traqueostomia, pois tinha pego uma infecção. E o tratamento agora passava por essa nova etapa. Ele já estava entubado. Teve um ataque cardíaco durante o novo procedimento. Morreu no último dia 15/06! 

Eu tive algum sinal porque, ao contrário dos dias anteriores, eu parecia não encontrar mais a luz dele enquanto fazia minhas orações! E depois Gal foi ficando mais nervosa. Sugeri que ela procurasse um posto médico por causa da diabetes. Nos dias seguintes ela me disse pra informar a Zé que Leon estava internado! E, não demorou muito, veio a notícia de que ela havia partido. 

Olha, inacreditável como a vida se organiza. Eu fiquei grata que tivesse podido de alguma forma me despedir dele ainda em vida! E me reencontrar com aquele menino pequenininho que em pouco tempo iria partir. Era feliz, alegre, estava casado e com um filho de 20 anos. E, antes do banco, trabalhara como radialista na 93 FM, em Jequié! 

Outro dia lembrei de que, com nossa mãe foi um pouco assim. Percebi que, além de mim, que já estava lá, os filhos (Gute, Cezar) também já estavam próximos dela. E foi um pouco assim nos dias da partida. Uns três meses antes, todo mundo foi se chegando em torno dela, em Aracaju! E, na véspera da partida, Gute resolveu vir a Salvador. Como se Deus providenciasse a presença dos mais fortes! Creio que talvez tenha sido isso que eu tivesse que fazer quando passei o ano de 2014 por lá! Só posso entender dessa forma! 

É isso aí! Eu desejo que esteja tudo bem com você. E que possa me dar notícias quando possível! Quando vem a Salvador?

À tout à l'heur! 

M. 

#LeonLeal #Covid-19 #Pandemia #Jequié #NossoMenininho



quinta-feira, 8 de abril de 2021

De Covid-19, Big Brother Brasil e alienação das massas

 


                                                                                                                                                            


Bonjour,

Hoje lembrei-me de você. É que desde a sua última visita, acredito que não tenha tido tempo de limpar sua caixa de e-mails. E as mensagens que te envio têm retornado. Estando em outro país e envolta em pesquisas acadêmicas, creio que o volume de demandas pessoais realmente aumenta. E nem sempre conseguimos equalizar nossos times. Quando vier à cidade, passe aqui para tomarmos um café. No último domingo foi aniversário de nossas irmãs caçulas. A mais nova tem melhorado pouco, desde sua última visita. 

Ouvi notícias pela TV sobre o fim do lock down em Portugal, depois de três meses de fechamento completo do país. Isso é realmente um alívio. Aqui no Brasil a situação continua cada vez mais crítica. Com a completa falta de infra-estrutura para acolhimento, seja em forma de leitos, equipamentos, profissionais, e mesmo remédios, acredita?! Há ameaça até de insumos básicos para entubação, o que coloca em risco os procedimentos e as operações de assistência às pessoas com COVID-19. 

O problema tem agravado os dados no país. Nessas duas últimas semanas os indicadores da média de novos casos estacionou, mas as mortes continuam crescendo. O que podemos concluir que as pessoas continuam morrendo por falta de assistência e leitos porque os hospitais estão congestionados e as equipes, exaustas. Os dados demonstram que não há leitos e os indicadores de mortes diárias ontem chegaram a 3.700 pessoas/dia! Mas, um dos mais respeitados cientistas, Dr Miguel Nicolelis, que presidiu o consórcio Nordeste, já havia afirmado que esses dados tendem a piorar, com a expectativa de que se chegue  a  6 mil mortes/dia.

Não está sendo fácil esse controle. O ritmo da vacinação continua lento. Menos de 3% dos brasileiros receberam a segunda dose até a data de hoje. E cerca de 10% receberam a primeira dose. Com esse ritmo, não chegaremos ao fim de 2021 com a população vacinada. Ainda enfrentamos problemas com a entrega de insumos dos chineses à Butantã para a fabricação de vacinas. E o governo não consegue comprar vacinas em número suficiente para vacinar toda a população. Aqui, além de todos os problemas,  o governo está abrindo mão, mais uma vez, via Congresso, da sua responsabilidade de gerir o controle e a distribuição das vacinas, ao permitir que empresas privadas negociem diretamente com laboratórios e se responsabilizem por vacinar empregados e outros grupos de interesse. Agora, pergunta-se, com essa diluição, qual controle dar-se-á a essas vacinas? 

Eu fico orgulhosa de te ver aí debruçada sobre uma pesquisa acadêmica cujo objeto é a COVID-19. Tenho certeza que nos trará ótimo retrato dessa crise e ótimas reflexões sobre ela, a partir de Portugal. Como você sabe, a presença de mulheres pretas na ciência ainda é pequena e pouco reconhecida. Mas, seu trabalho desde sempre tem sido de muito envolvimento e de ótimas contribuições ao desenvolvimento científico, desde a UFRJ.  

Por aqui a situação também está crítica em relação aos dados, pois muitas pessoas continuam morrendo em função da pandemia. Há um desespero por parte de parcelas da população, que, sem renda, lutam pela reabertura de atividades econômicas; outras 40% vivem hoje abaixo da linha da pobreza. As situações de negacionismo são evidentes; de falta de consciência e inclusive de muita aglomeração. Prefeitura tem flexibilizado de tempos em tempos e as mortes têm sido inevitáveis. 

No mais, por aqui, a única coisa que tem funcionado direito é o Big Brother Brasil. Em sua função de divertssiment alienante. Um grande negócio executado à noite, pela manhã, agora com um programa que repercute o programa também pela tarde. E segue a peleja. Lendo Saviani*, ele nos reporta a Gramsci que afirma não poder o proletariado "erigir-se em força hegemônica sem a elevação do nível cultural das massas". Destacando, segundo o próprio Saviani lembra, "a importância fundamental da Educação" nesse processo. Ah, os pretos e pretas foram dos primeiros a sair. 

À tout à l'heur! 

M. 

*SAVIANI, Dermeval. Educação: Do senso comum à consciência filosófica. Campinas: Autores Associados, 18a ed. revista, 2009, p. 4. 


sábado, 3 de abril de 2021

De Semana Santa, tradições familiares e memórias afetivas

 


Bonjour, 

Estamos na Semana Santa, época em que eu me lembro perfeitamente de casa. Da infância, da nossa cultura baiana. E, especialmente, dos afazeres que tínhamos em casa quando nossos pais eram vivos.  Tivemos a sorte de ter uma família unida. E de termos pais afetos à cultura e tradições baianas. 

E isso me faz lembrar com frequência que éramos dados a comemorar cada data importante, fosse o Carnaval, fosse o São João, fosse o Natal e fosse mesmo a Semana Santa. Dado que nossa mãe era soteropolitana e a família dela tradicionalmente católica - nossa bisavó Bemvinda morreu aos 102 anos após passar mal durante uma missa no Rio de Janeiro, assim contava nossa mãe - a tradição de preparar caruru e vatapá e toda a comida baiana era arte de minha mãe - e nossa. 

Eu infelizmente não aprendi a cozinhar tão bem quanto ela, aprendi pouco porque nossa mãe não nos introduziu nessas artes. Mas, o pouco que sei aprendi com ela, de ver, olhar, e apreciar o tempero delicioso. Que cozinhava muito bem. Aos domingos sempre tínhamos comidinhas para uma família inteira em torno da mesa. Era muito comum um cardápio em fins de semana com cozido, pirão, verduras, tudo delicioso, que D. Nilza preparava.         

E havia sábados, dia de feira, em que nosso pai trazia caranguejos que nossa mãe punha na panela grande, ainda vivos, em água quente. E eu pequena, semi-adolescente, uns 12 anos, ficava imaginando aqueles bichos vivos, sendo cozidos nessa condição. Morria de pena. Eles arranhavam aquele caldeirão de alumínio, grande. E tentavam escapar, sem sucesso! Esse desespero desaparecia à mesa assim que encontrávamos aqueles caranguejos apetitosos, prontos para serem servidos. Nosso pai era aquela figura mansa, e sempre correto, "parceiro", como era conhecido. Educado, falava baixo, nunca levantava a voz. Mas, era rígido nos limites.  

Ele era o criador. Inventava coisas. Adorava ler as revistas Ted que você amava. Ia sempre a Feira de Santana repor mercadorias. Mas, quando retornava, dificilmente deixava de trazer doces para suas crianças. Assim era no seu dia a dia: inventivo. Adorava festas, alegria, tinha sempre um litro de gim sobre a peça móvel da sala; ouvia os próprios discos e as próprias peças em seu repertório; adorava festas populares. O São João era a sua preferida, o Natal também. Estava sempre criando artes para nos reunir. Mas, um reunir silencioso. Nós fazíamos, ele estava ali, como peça-chave! 

Quando éramos crianças - meus irmãos já adultos - ele adorava trazer para casa caças diversas, como teiu. Era hábito entre os pequenos comerciantes, como ele, da Rua Carlos Gomes,  no Centro de Alagoinhas, onde crescemos. Tinha nos arredores meu tio Valter Schefler, sempre por perto, e Anália, dona de um bar,  e o vizinho, um protérico chamado China. Os dois filhos deles, você lembra, eram meus melhores amigos, junto com Marivalda, neta da dona da pensão, situada à direita da nossa casa.  

Eu não sei como são as suas lembranças daquele período, se ainda estão vivas. Nessa casa, sempre que chovia forte, a rua transbordava. E a água de enxurrada invadia a nossa casa. As crianças menores, eu e nossas duas irmãs, descíamos, navegando água abaixo porque a casa tinha um declive, com pequenos degraus. E a água vinha como enxurrada. Era uma vez ou outra que isso acontecia. A cidade nem chove tanto assim porque fica no Agreste. Mas, sempre uma festa para nós, crianças! 

Em épocas como agora, a nossa mãe era a própria tradição. E quando fomos crescendo, a ajudávamos, indo na feira, e em casa, a preparar os ingredientes. O fazer, maravilhoso, era de nossa mãe mesmo. Era o momento em que a família se reunia quase inteira. Todos os seus filhos, filhas, netos, noras e genros. Isso demorou um pouco, só lá pra meus 20 anos. 

Hoje, sentimos que as tradições não são apenas tradições: são nossa cultura, nossa memória, nossa  maneira de ser, de viver em família. A Semana Santa tinha esse conforto, esse cuidado de estarmos em família, celebrando, bebendo um vinho vendido em garrafões. Fazendo aquele barulho de casa cheia, de muitas vozes celebrando, contando causos em voz alta, dando risadas. Saboreando a tradição que nossa mãe - e nosso pai - faziam questão de manter. Seja no caruru, seja no vatapá. E o acarajé, que não era muito comum encontrar-se à venda na cidade, de vez em quando em que a presenteávamos com um exemplar, era sempre uma festa! Uma das iguarias que mais nossa mãe amava! Hoje, na pandemia, em casa, só resta agradecer à festa da vida que só foi possível graças aos nossos antepassados. 

       À tout à l'heur! 

    M.


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

De imóvel, direitos adquiridos e violações improfessáveis

Bonsoir,

Passado praticamente um mês desde o último post. Estou às voltas com a gestão do ano de 2021, ainda regulando atividades do semestre passado, que ainda não foram concluídas e às voltas com o reinício do novo semestre na UFBA; além de questões especialmente profissionais e de moradia. 

Esse último quesito ainda tratando-se do assunto que considero improfessável, dada a questão que corre na justiça, que eu considero uma violação extremada de direitos adquiridos, do ser, do estar e do viver, ainda não resolvida. A principal delas, de um imóvel ser removido do processo sem você sequer ser ouvida. Sendo que a parte principal é você e não um comprador que entrou de gaiato no processo, à revelia de seu direito original. 

Mas, a Justiça na Bahia é assim. Você compra um imóvel na planta, paga todas as parcelas em dia. A empresa que vendeu atrasa a entrega. E você é quem paga por decisões incabíveis que violam seus direitos de comprador. 

Inclusive, é você quem pleiteia a compra e o juiz resolve entregar - em menos de um ano de processo -  à construtora, o imóvel sobre o qual você pagou até ITIV, botou luz, pagou parcelas de condomínio. Sem sequer lhe ouvir!!!! E dá a esse imóvel, que por direito é seu, a oportunidade, ainda no processo, de ser vendido. E lhe determina na mesma causa que libera o imóvel à venda, 60% do que você pagou. Percentual inclusive, nunca tocado. Porque a decisão é vergonhosa! Imoral! E o juiz resolveu tirar a bola de campo. E me deixar com os prejuízos. 

 Isso depois de você ter vendido o imóvel que você morava há 12 anos. E de ter tido de alugar outro pra passar uma chuva até a solução final de entrar no imóvel ocorrer. Até o momento, só danos, perdas. De toda a espécie. Sem nenhuma reparação. Nem material, nem moral, nem psicológica, nem espiritual. Nem financeira. 

E vou lhe contar, nenhuma delas serve, a não ser o imóvel retirado à revelia. Vendido a alguém que ainda teve o desplante de me enviar uma mensagem no messenger e me provocar dizendo que a Prefeitura só liberava a venda pra ele se eu fosse no cartório. Você imagina o que isso significa? Que o processo está em curso e que essa venda é inválida.

 Mas, apesar de dois advogados contratados, nenhuma contestação a esse respeito. De uma venda sem que a principal interessada fosse primeiramente ouvida dentro do processo. Ao contrário, a orientação da ação é para que eu entre em um "acordo". 

Agora, não há acordo. Porque não é caso de acordo, é caso de direito sumprimido dentro do próprio processo. E de você estar há 7 anos vivendo de aluguel, quando você deveria estar ocupando o imóvel que você pagou religiosamente todas as prestações da entrada, pagou para até substituir o modelo do rodapé do imóvel - um extra oferecido pela construtora , e por mim pago - e na sequência em que a ação foi dada entrada, tinha renda suficiente para ser imitida na posse do imóvel, sem que ela fosse repassada a um terceiro, ainda com o processo em curso.

 E nenhum de seus prejuízos foi adequadamente até agora coberto. Enquanto eu arco com prejuízos não calculados - alguns até sequer reconhecidos por essa mesma justiça que entrega o imóvel em causa à venda a terceiros! 

Você nem vai acreditar, esses dias, descobri que aquele imóvel que eu vivia e que vendi para entrar no apto novo, está disponível. Qual não é a minha indignação com tudo isso! Vergonhosa indignação porque ao vender, como o imóvel novo não havia sido entregue - e já havia se passado três meses -  o novo comprador me exigiu imediata entrega. 

E eu passei um final de semana inteiro, na oportunidade, chorando, literalmente,  sem ter onde me abrigar. Até uma colega me disponibilizar este que estou. 

Cheguei pra passar uma chuva até a entrega do suposto imóvel comprado na planta, que se deu com um ano após a data prevista no contrato. E estou aqui há 7 anos!!!!!. Incluindo o ano passado em Aracaju, para onde segui para trabalhar. E obter a renda necessária à obtenção do imóvel ao qual a Justiça decidiu em 10 meses, disponibilizar à venda sem sequer me ouvir. 

E nenhuma contestação de advogados. Sob o argumento do primeiro, de que "decisão judicial se cumpre!". A firma chama-se Roberto Visnevksi, empreendimentos, de São Paulo; e a MV Construções, aqui da Bahia, incoporador da obra. O apto é o Modern & Living, situado na Avenida Garibaldi.  E a ação tramita na 32a Vara Cível e Comercial.  A foto acima tirada quando fiz a inspeção para o recebimento do imóvel em 2012, mas nunca entregue a mim como compradora! 




segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

De semana puxada, filosofia contemporânea e pesquisa acadêmica: o que a vida nos ensina.

 Bonjour,



Hoje eu acordei em revisão. Essa semana tem sido puxada, com  finalização de atividades da graduação. Sabe quando às vezes você se esforça muito e parece que está dando tudo errado? Tem coisas que eu não compreendo. A vida às vezes se parece com aquelas sessões da tarde em que a mocinha ou o mocinho está metido em atividades que parecem não funcionar. E o que você mais precisa no momento é daquele outro que consiga lhe entender e, se calhar - como dizem os portugueses - se apaixonar. Hoje eu acordei carente. Compreendendo que nem sempre a gente dá conta de tudo como gostaria. 

Esse último ano foi muito puxado, mas de muito aprendizado. Descobri Hannah Arendt e autores que não havia me detido anteriormente. Minha cadeia filosófica só tinha cruzado transversalmente autores como Foucault - fundamentais - e tenho em casa alguns de seus clássicos, como Vigiar e Punir, de leitura infinitamente clara. (Há muitos anos escrevi uma resenha para A Tarde em seu até então tradicional Caderno 2 - sobre a História da Loucura, um volume longo, escrita solicitada pela colega Tatiana Lima). Enfim...

Durante o curso ofertado pela professora Mariangela Nascimento/UFBA fomos apresentados a autores realmente novos para nós, como Byang Chul-Han, este um professor e ensaístas sul-coreano e professor da Universidade de Berlim. Escreveu, dentre outros "Sociedade do cansaço" - o único que li até agora -, "Sociedade da Transparência",  "Psicopolítica", livros que se tornaram populares pela tradução de questões importantes na contemporaneidade. Eu recomendo que você adquira, se puder, porque são bem em conta, na casa dos R$14,00. São no formato livro de bolso. Pra quem quiser adquirir, vou deixar um link  abaixo (comercial mesmo - e também me ajuda - agora vocês já sabem que podem ajudar essa blogueira aqui). 

Trabalhamos também na disciplina  uma série de pensadores contemporâneos os principios da política e da biopolitica. Em uma disciplina online, com a presença de ótimos professores convidados da Bahia e de muitas partes do Brasil. Foucault, Mbembe, Agamben,  Byang Chul-Han e Hanna Arendt foram os pensadores que estiveram presentes nessa cartela de ideias, prontos ao debate. Em termos de Arendt, interesso-me especificamente por sua obra, as suas questões preponderantes sobre a Condição Humana, as Origens do Totalitarismo, a sua filosofia política, expressando-a como uma mulher para além de seu tempo. 

Como muitos de meus leitores já sabem, escrevi em 2001 uma dissertação defendida em fevereiro de 2002 sobre a questão do público e o privado, dissertação esta que devo publicar em 2021. O mesmo projeto válido para a tese de doutorado que está no prelo pela Segrase/Sergipe, esta tratando das transformações tecnológicas e reflexões sobre a educação, as redes, as cidades e a comunicação ubíquia, no que denominei de um fenômeno que abrange escolas-cidades-redes - redes-cidades-escolas.  

Bem, com relação à dissertação, foi das primeiras dissertações sobre blogs no Brasil, na qual tratei da escrita de mulheres - o diarismo - em perspectiva histórica e fenomenológica. Abordei o surgimento dos diários pessoais que só no século  XIX, de uma maneira global, são compreendidos como um fenômeno da intimidade, no cenário europeu. No século IX, na Ásia, os diários de Sei Shonagan (c.966-1017) - escritora japonesa, denominados de Livro de travesseiro, já ocupavam esse papel de escritos íntimos. Mas, na oportunidade, os homens eram no mundo os maiores escritores de diários, conforme retrato em minha pesquisa.

Eu creio que essas são parte das  transformações que a vida me oferece hoje. De contar com novos autores para pensar a política e a biopolítica contemporâneas. Das mentes  e dos corpos. E, agora  como estudante do Bacharelado em Gênero e Diversidade, cruzando tudo isso com os feminismos e a interseccionalidade. À espera de construir um bom caldo discursivo. Em relação à semana, muitas vezes você precisa ser seu próprio mocinho. Pegando mais leve consigo mesmo. 

À tout '`l'heur! 

M. 

Link para os livros de: 

Byang Chul Han  

 Hannah Arendt 

Giorgio Agamben 

Achille Mbembe



domingo, 3 de janeiro de 2021

De tios, casamentos e passagem: Feliz Ano Novo



 Bonjour, 

Já é ano novo. Ontem, dia 01/01/2021 conversei com nossa tia Marlene (foto). Ela está bem melhor. Parece que vem dando certo a terapêutica executada por nossas primas Isabel, Eliane, Adriana e Pryscilla. Elas vêm se revezando e levando minha tia para estar com elas. Sempre. 

Há uns dois meses ao conversar com Pryscilla minha tia não estava tão bem. Apresentava-se bem nervosa.  Boa parte devido ao luto do meu tio Ananias. No último dia 15 de dezembro fez dois anos da morte. A outra parte se deve ao fato de que a pensão deixada por meu tio ainda não foi autorizada pelo INSS. 

E idoso, como a gente sabe, tem muitos custos. Remédios são caros. E minha tia se ressente de não poder gerir ela mesma essa parte. Tem que contar com as meninas. E o estresse aumenta porque minha tia, aos 84 anos recém completados, preza a autonomia que teve a vida inteira. 

Junta a isso tudo o fato de que teve um AVC que lhe paralisou uma das mãos. Isso associado ao fato de que já não vinha andando muito bem, dado o problema de extrema envergadura da coluna. Agora, precisa andar de muletas e usar fraldas para dormir. 

Fico assim pensando que mudança em tão pouco tempo. Não faz muito, acredito que em 2013 andávamos eu, minha tia e meu tio Ananias. Eles adoravam a Bahia e vinham com frequência - sozinhos - nos visitar. Eu os guiava, íamos de carro, visitando lugares por aqui. 

Da última vez fomos a Aracaju. Minha tia esteve com minha mãe, passamos uns dias por lá. Fomos à praia, comemos caranguejo. No retorno, paramos em Imbassahy, em um lugarejo próximo. E comemos um peixe assado em um dos pequenos restaurantes da região. 

No ano de 2017 meus tios vieram desta vez a Salvador, estiveram com nossos tios em Paripe. Eu os peguei, levei-os até Zé, no Caminho das Árvores, onde passamos uma tarde prazerosa. Nosso irmão e a esposa  preparam um café, sucos de frutas e um bolo. Naquele dia escolhi o melhor pedaço para meu tio. A quem eu ama. Minha tia ficou enciumada. Mas, foi um gesto de camaradagem. Acredito que tenha sido o último.

Meu tio morreu em 2018 em decorrência de uma pneumonia. Coincidência, uma tarde liguei pra lá e ele não estava bem. Falei com ele, estava meio esquisito. Foi logo após o AVC da minha tia Marlene. Eu naquele dia acreditando que, como ele era muito apaixonado, estivesse preocupado com o estado geral da minha tia. Só que não. Ele é quem estava partindo. Não demorou muito, acredito que no dia seguinte, passou mal. Foi internado e 15 dias depois, partiu. Eu creio que ele não aguentaria ficar sem ela. 

A vida é isso. Nossa, que casal maravilhoso. Meu tio era aquela delicadeza. Educado, fino, cortês, cavaleiro, marido, pai exemplar. Um homem dos tempos antigos, como nosso pai, Valdeck. A diferença é que meu pai era mais nervoso, no sentido de usar o cinto, quando preciso. Meu tio era gentleman com as filhas. 

Em episódios como a relação das filhas e namoros. Meu tio Ananias sempre estava presente, mediando a seriedade da relação. Era ele quem tratava de casamento, assim que proposto. Queria conhecer as reais intenções desses candidatos. Foi assim com nossa prima Eliane, quando arranjou um noivo paulista. E meu tio pediu que ele selasse esse compromisso. E creio também que o mesmo se deu com a prima Isabel e Adriana. Não me lembro como foi com Pryscilla. Mas, apesar da superindependência que ela apresenta, encontrar um homem sério, como é o caso, foi tarefa aprendida com o avô. 

Bem, é isso. Passando aqui pra te desejar um Feliz Ano Novo. Dizer que é importante que o contato com a família seja feito e acompanhar os desdobramentos do inventário de nossos pais. 

Ah, quanto a nossa tia Marlene, já faz planos para quando a pandemia passar. De vir nos visitar.

À tout à l'heur

M.


segunda-feira, 7 de setembro de 2020

O Poder dos Quietos


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De pandemia e Leon Leal: lembranças do menininho que a Covid-19 levou!

 Bonsoir,   Leonzinho.  Estamos às vésperas do São João. Os festejos por aqui somente virtualmente. Mas, dado o movimento das vendas nessa p...